Pequena caixa azul com a inscrição 107 na parte de cima onde guardo meus devaneios musicais

segunda-feira, 13 de maio de 2013

História do Capitão solitário

Cumprindo o compromisso que firmei com o Caio de tentar escrever mais em português =)
Começou como música, virou conto, voltei, oscilei entre terceira e primeira pessoa e assim ficou:


Lá estava ela
Alguém além dos meus sonhos
Além do meu alcance
Contagiando o mundo com seu encanto
Ao meu lado e ao mesmo tempo
Distante um oceano inteiro de mim
Brihante como um farol atraindo quem ali navegasse

Seria possível realizar a travessia?
Ou eu deveria me conformar apenas com a vista?
Nenhum pensamento se fixava quando ela estava perto
E nessa distração não percebi 
Quando alguém passou ao meu lado
Alguém que estava ainda mais distante
E gentilmente a alcançou

Com a facilidade com que se adiciona uma letra
Ele e ela se tornaram dele e dela
O oceano ao meu redor secou
E se tornou um árido deserto de oásis amargos
Como pode tal transformação ter ocorrido?
Fechei os olhos incrédulo e esperançoso
De que o farol teria se apagado quando os abrisse de novo

Mas o encanto permanecia
Tornando a solidão do deserto ainda mais sufocante
A dor e o vazio me trouxeram a força necessária
Para correr em silêncio
Na direção daquele quadro imperfeito
E corrigir a paisagem
Com quem realmente deveria preenchê-la

Me aproximo, encosto
Quase declaro minha guerra
Mas não consigo
Porque de perto eu percebo que é ele
Como nunca pude imaginar que seria
Ele e ela.
E eu, o outro.
 
Quero hastear minha bandeira em nome do meu brasão
Mas sempre que me aproximo com meus exércitos
Tudo se dispersa
O general fica bobo
O samurai perde a espada
Ele ocupa o posto mais alto
E eu estou caído como um súdito perdido

Que tolice a minha em não perceber seu valor
Bobo fui eu de julgá-lo assim
Porque mesmo sabendo o que ela é para mim
Sua nobreza me estende a mão
Me torturando ao mostrar
Que eu jamais faria o mesmo

Como apartar uma briga comigo mesmo?
Entre o ímpeto de tomá-la pra mim
E a resignação em saber que ele é o melhor pra ela?
O oceano que me cercava agora está dentro de mim
Provoco, encosto, desvio, me aproximo e desisto
Será que algum dia encontrarei águas calmas?

O tempo me ensinou a navegar pela correnteza
E a montar uma guarda velada na costa do meu farol
Observando de longe o brilho do seu sorriso
Até que meu nobre inimigo desferiu um golpe fatal na minha calmaria
"Cuide dela se eu faltar, por favor."
O silêncio de minha resposta foi quase um grito

Os anos abrandaram minhas cóleras
Mas nunca o meu amor
Solidificado em um coração
Que viu a vida passar através dos olhos dela
Das conquistas, comemorações e filhos dela
E dele

Quando ele faltou momentaneamente
Fiz meu papel cumprindo a promessa 
Que silenciosamente fiz a ela
E a entreguei de volta, imaculada
Me mantendo o mais perto que pude
Da perfeição dela e da admiração que agora tinha por ele

Após ver todos os seus sonhos sendo realizados por ele
Aproveitei, sem rancor, o brilho que eles traziam para os olhos dela
Olhos que nem as rugas deixaram menos brilhantes 
Até que a promessa teve de ser cumprida por completo
E agora o silêncio era dele
"Cuidarei, vá tranquilo"

Ao invés de pensar que agora tudo começaria
Percebi que na verdade não houve espera
Fui feliz junto dela e, confesso, junto dele
Junto dos seus filhos, dos seus netos, das suas festas, dos seus sofrimentos
Zelando para não deixar que nada a impedisse de ser feliz
Guardando para que o farol nunca parasse de brilhar

Até o dia em que a luz se apagou 
E ela foi serena ao encontro
Do único que poderia acendê-lo novamente 
Como prometi

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Silencio e O show

O que falar do show da Orquestra Buena Vista Social Club com Omara Portuondo ontem. Não sei definir. Palavras como "incrível" e "maravilhoso" são pequenas perto de toda a emoção e alegria que senti. Além de tocarem músicas que eu amo como "De camino a la Vereda", "El Carretero", "Veinte Años" e "El Cuarto de Tula", Omara Portuondo fez toda a diferença.

Dona Omara, com seus 82 anos, domina o palco e o público de uma maneira tão envolvente que foi visível a diferença do show antes de sua entrada e depois. Quando ela, Barbarito e Papi tocaram a primeira música juntos, de pé, no centro do palco, como se conversassem em uma esquina de um jeito despreocupado e como se ninguém os ouvisse, não resisti e chorei. Lembrei imediatamente de Ibrahim Ferrer, membro do Buena Vista que faleceu em 2005.

Depois de muita música boa - incluindo minha preferida Chan Chan, que citei aqui - o show terminou, ficando apenas Omara no palco. Ela então chama um guitarrista que tocou com ela e outros grandes artistas como Maria Betânia e os dois tocam "Dos Gardenias", fazendo o lugar inteiro se emocionar =)

Para finalizar, os músicos voltaram ao palco para fechar com a animadíssima - e também uma das minhas preferidas - "Candela".

Uma noite realmente emocionante e inesquecível! =)

Para encerrar os posts sobre o Buena Vista antes que isso aqui vire um blog sobre o Buena Vista, gostaria de dividir uma das letras mais lindas deles. A música se chama "Silencio" e fala de uma tristeza que deve ser ocultada das flores do jardim, senão elas também vão sofrer e morrerão. Interpretada no vídeo abaixo por Omara e Ibrahim.


Duermen en mi jardin
los nardos y las rosas, las blancas azucenas
Mi alma muuuuy triste y pesarosa
a las flores quiere ocultar su amargo dolor.

Yo no quiero que las flores sepan
los tormentos que me da la vida.
Si supieran lo que estoy sufriendo
por mis penas llorarían también.

Silencio, que están durmiendo
los nardos y las azucenas.
No quiero que sepan mis penas
porque si me ven llorando morirán.


A música começa em 0:45 =)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Misery Business

Mais uma gravação da série "Gravando-músicas-mais-fáceis-enquanto-a-Lili-não-toma-vergonha-na-cara-e-grava-logo-Nina-Simone" =D

Estava ouvindo algumas músicas a caminho da aula, tentando decidir o que gravar, e dessa vez foi Paramore, uma banda teen que eu adoro, admito. Inclusive o show deles ano retrasado foi escandalosamente bom. A Hayley Williams, vocalista, realmente canta demais e tem muita presença de palco.

Alguns agudos não ficaram bons. Na verdade essas minhas gravações em aula - que fazemos em no máximo 30 minutos entre escolher, gravar e salvar - tem muitos erros, mas acho melhor assim do que usando Autotunes para corrigir. Dessa vez uma coisa que eu já sabia fica evidente: cantar rock agudo pra mim não rola, fica estranho pq sempre tendo a ir pro lírico =/

Isso me faz querer gravar "Born to be wild", bem grave e rock n'roll. Aí sim a coisa fica boa =D

Sim, mais um vídeo só com imagens de paisagem. Sorry... =/